Pochettino Defende Escolhas e Desempenho da Seleção dos EUA
Mauricio Pochettino, selecionador da equipa masculina de futebol dos Estados Unidos (USMNT), defendeu publicamente as suas escolhas de jogadores e o desempenho recente da equipa após uma derrota por 2-0 frente à Coreia do Sul. Esta foi a sua sétima derrota em 17 jogos desde que assumiu o cargo há menos de um ano.
Apesar do resultado do jogo amigável contra a Coreia do Sul, onde o USMNT superou os adversários em remates (17-5), Pochettino insistiu que a sua equipa era “melhor”. Contudo, o plantel pareceu descoordenado, levantando preocupações sobre a química da equipa com apenas nove meses e aproximadamente dez jogos amigáveis restantes até ao Campeonato do Mundo. As preocupações defensivas foram proeminentes após o jogo, com a estreia de Tristan Blackmon a ser dececionante e o jogador-chave Chris Richards no banco. Embora Pochettino tenha inicialmente referido uma “pequena questão” para o papel limitado de Richards, mais tarde acusou os seus críticos de “falta de bom senso”.
Pochettino Desvaloriza “Disparates” e Justifica Riscos
Antes de um jogo amigável contra o Japão, Pochettino retorquiu, afirmando:
“O importante é aplicar o bom senso. Se as pessoas quiserem, por vezes, falar disparates, podem falar disparates.”
Implicou que correr riscos em jogos amigáveis, como utilizar um jogador lesionado, poderia levar a “grandes problemas”.
O Caso de Malik Tillman e a Gestão de Lesões
Citou Malik Tillman, um destaque da Gold Cup da Concacaf que se transferiu para o Bayer Leverkusen, como outro exemplo. Tillman sofreu uma lesão na pré-época, que o impediu de participar no jogo de abertura da Bundesliga pelo Leverkusen, embora tenha jogado 61 minutos no jogo seguinte, pouco antes do início da pausa internacional.
Pochettino explicou o dilema de convocar jogadores como Tillman:
“É um risco convocá-lo… É benéfico trazê-lo para cá e potencialmente atrasá-lo porque não está pronto, ou é melhor dar-lhe duas semanas para trabalhar bem com o seu clube, reconstruir a sua condição através do jogo regular?”
Argumentou que uma convocatória precoce, arriscando uma nova lesão e uma ausência de vários meses, seria “um grande risco para o Campeonato do Mundo”. Sugeriu esperar até outubro, se a recuperação de Tillman progredisse bem.
Atribuiu as questões de forma física à data precoce da pausa internacional, que ocorre apenas duas ou três semanas após o início da época europeia.
“É sempre difícil porque os jogadores estão a mudar, a trocar de clubes, alguns a começar a jogar, outros não, vêm sem pré-época ou com uma pré-época curta”, elaborou Pochettino. Sublinhou que “o estágio de setembro é sempre o mais difícil porque, por vezes, os jogadores não estão adaptados aos seus clubes.”
Expandir o Plantel e Preparar para o Mundial
O selecionador também afirmou que este período é ideal para oferecer oportunidades a jogadores menos experientes, como Blackmon.
Enfatizou a necessidade de um plantel alargado:
“Precisamos de ter um plantel bastante vasto e jogadores que precisamos de conhecer e dar a possibilidade de jogar.”
Advertiu contra a limitação do leque de jogadores, explicando que lesões poderiam deixar a equipa despreparada.
“No Campeonato do Mundo, não é altura de fazer testes ou de dar a possibilidade de ganhar experiência. É por isso que não se pode ficar surpreendido”, declarou, justificando a experimentação precoce.
Pochettino acredita que expandir o leque de jogadores fomenta um ambiente competitivo crucial entre eles, essencial para a preparação para o Campeonato do Mundo.
“Claro que quero ganhar”, afirmou Pochettino, “mas também precisamos de pensar no processo e dar aos jogadores oportunidades para atuar, colocando a equipa técnica numa situação muito difícil.”
Exemplificou com Tillman, afirmando: “Tillman precisa de saber que há outro a pressionar por trás, está bem?”
Otimismo e a Importância do Coletivo
Refletindo sobre o jogo contra a Coreia do Sul, Pochettino expressou um otimismo crescente, assegurando que o USMNT está “no caminho certo”. Viu as derrotas nas Finais da Liga das Nações da Concacaf em março como um “grande sinal de alerta” que ajudou a equipa a corrigir o rumo.
“Penso que foi um grande sinal de alerta depois de março. Tudo o que aconteceu ajudou um pouco a perceber que o mais importante é a seleção nacional, é a federação e isto é mais importante do que qualquer nome individual.”
Pochettino concluiu com confiança:
“Temos um plano. Não estamos preocupados com nada. Mantemos o plano. Estamos com os jogadores. Somos um grupo muito, muito forte agora, as pessoas que trabalham na federação, todos.”
Crítica Construtiva vs. Negatividade
Pochettino concluiu que as preocupações atuais são puramente externas, argumentando que a crítica excessiva impede o desenvolvimento dos jogadores.
Instou os críticos a considerar perspetivas alternativas:
“É só quando as pessoas falam, elas precisam de pensar um pouco que, por vezes, pode haver outra forma de avaliar e analisar a situação. Não é apenas ser negativo.”
Distinguindo a crítica construtiva da mera negatividade, acrescentou:
“Ser crítico é uma coisa, porque gosto da crítica quando se dizem coisas certas, mas quando é crítica por criticar, penso que não me está a prejudicar a mim. Estão a prejudicar o vosso país e os vossos jogadores que, no final, precisamos de apoiar para lhes proporcionar a melhor plataforma para atuar.”





