De vez em quando, entre os melhores tenistas do mundo, surgem confrontos que representam uma verdadeira disputa, uma batalha de vontades que pode pender para qualquer lado. Esses tipos de jogos geralmente são decididos por pequenas margens. Quem sacou melhor naquele dia? Quem estava com mais confiança em seus golpes? Quem venceu aquele ponto crucial no momento decisivo?
Excelentes exemplos desses jogos e confrontos incluem a épica final de Wimbledon de 2019 entre Novak Djokovic e Roger Federer, e a rivalidade entre eles; a espetacular final do Aberto da Austrália de 2012 entre Djokovic e Rafael Nadal; e a impressionante final de Roland Garros de 2025 entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, e sua crescente rivalidade.
Todos esses jogos, assim como as rivalidades, poderiam facilmente ter tido um desfecho diferente. E é isso que os tornava tão fascinantes para os entusiastas do tênis e para os fãs casuais. Tinha-se a certeza de ser entretido pelo que estava em exibição naquele dia, sem ter a menor ideia de quem acabaria por triunfar. Era um verdadeiro espetáculo de alto nível, mostrando os melhores jogadores do esporte em sua melhor forma. No entanto, para toda ação há uma reação igual e oposta, parece, e infelizmente, essa afirmação também se aplica ao tênis.
Enquanto tivemos esses confrontos espetaculares, também tivemos partidas que, no papel, deveriam ser promessas emocionantes repletas de tênis de alta qualidade e resultados imprevisíveis, mas que, infelizmente, nunca parecem corresponder, com um jogador tendendo a dominar. Os confrontos Djokovic – Gael Monfils (h2h: 20-0), Serena Williams – Sharapova (h2h: 20-2) e Federer – Andy Roddick (h2h: 21:3) são alguns exemplos de jogos que, em última análise, não atenderam às expectativas. Os confrontos entre Sinner e Alexander Zverev, infelizmente, parecem fadados a cair firmemente nesta categoria.
Jannik Sinner vs. Alexander Zverev: Uma História de Expectativas Não Realizadas
O que se desenrolou nesses jogos nos últimos anos tem sido a vitória tranquila do italiano, praticamente sem ser desafiado. Os confrontos em si começaram de forma alternada. Enquanto Sinner venceu o primeiro encontro em 2020, Zverev venceu os quatro seguintes. Notavelmente, ele perdeu os seis jogos subsequentes, oferecendo pouca ou nenhuma resistência. Nestes seis jogos, ele venceu apenas dois sets contra o italiano. Dizer que tem sido uma experiência humilhante para o alemão Zverev seria um eufemismo. Ele parece um jogador completamente fora de seu nível ao enfrentar o italiano.
Embora ambos ainda representem alguns dos melhores jogadores da ATP, o crescente abismo entre eles conta uma história completamente diferente. Seus estilos de jogo não são muito distintos, pois ambos são excelentes jogadores de linha de base, possuem saques altamente eficazes e são muito hábeis em desgastar os adversários. O que levanta a questão: por que tem sido tão unilateral? Talvez uma análise dos dados possa fornecer alguma clareza.
Ambos estão entre os líderes do circuito em métricas de saque, com Sinner vencendo 92% de seus games de serviço e Zverev vencendo 88%. O alemão inclusive acerta mais primeiros saques, com 73%, 10% a mais que Sinner. Mas ao analisar as estatísticas de devolução, a diferença de nível começa a surgir. Enquanto Sinner lidera o circuito em rating de devolução, Zverev está em 23º lugar, atrás de jogadores como Vit Kopriva e Jacob Fearnley, de acordo com os rankings da ATP. Uma olhada na categoria ‘Sob Pressão’ da ATP, que descreve como um jogador lida com momentos tensos em uma partida, mostra novamente Zverev em uma companhia indesejável, em 28º lugar, enquanto Sinner está novamente entre os cinco primeiros. Estas não são as categorias para um homem que um dia espera ganhar um Major. Isso oferece insights sobre por que Sinner tem dominado esses jogos recentemente e o que Zverev precisa fazer para diminuir a diferença.
A Questão Fundamental?
Há, no entanto, quem defenda que tudo se resume à mentalidade de Zverev, incluindo o próprio Roger Federer. O alemão tem sido acusado de falhar em assumir o controle e de jogar de forma muito passiva em momentos importantes. Segundo esse argumento, os dados acima tornam-se um sintoma dessa mentalidade, e não a causa. Isso contrasta claramente com Sinner, que tem sido, basicamente, uma fortaleza mental inigualável no circuito. Após o que é indiscutivelmente sua derrota mais importante para Sinner até hoje, na final do Aberto da Austrália de 2025, um desanimado Zverev disse: “Quero agradecer à minha equipe. Estamos tentando fazer todo o trabalho certo. Eu simplesmente não sou bom o suficiente. É tão simples quanto isso”.
Mais tarde, ele disse que se arrependeu de fazer essa declaração, mas é uma clara indicação do funcionamento interno de sua mente e de onde ele se posiciona em relação a Sinner. É surpreendente para um jogador que começou sua carreira jovem, vencendo nomes como Federer, Nadal e Djokovic em algumas das maiores competições. Os encontros mais recentes entre eles em Melbourne e Indian Wells este ano foram, essencialmente, parte de um enredo familiar.
Eles se encontrarão novamente pela 12ª vez, e é difícil prever como este confronto será diferente dos recentes. Zverev, por sua vez, precisa tentar reescrever essa dominância para evitar que este confronto seja arquivado na categoria de jogos que nunca entregaram o esperado, até porque isso também poderia abrir as portas para um Grand Slam para ele. Para os fãs do Número 2 do mundo, eles não estariam reclamando muito e provavelmente esperam que esse domínio continue. Para os fãs de Zverev e, provavelmente, para os fãs de tênis em geral, eles esperam que Zverev possa finalmente tornar isso mais uma partida e talvez até finalmente superar o que agora parece ser seu nêmesis. O tempo dirá!








