Estreias em Foco: Por que Viktor Gyokeres Desapontou no Arsenal Enquanto Bryan Mbeumo Brilhou no Manchester United

Esporte

O tão aguardado clássico entre Manchester United e Arsenal, que prometia ser um duelo entre os seus mais recentes e caros reforços ofensivos, acabou por ser ironicamente decidido por um defesa. O Arsenal, fiel ao seu estilo quando em baixa forma, marcou de bola parada. A vitória por 1-0 dos Gunners em Old Trafford foi, no geral, um jogo insípido e aquém das expectativas de ambas as equipas, evidenciando a distância que o Manchester United ainda tem de percorrer no seu caminho para o topo.

Este confronto, no entanto, proporcionou uma oportunidade para observar de perto seis das contratações mais sonantes da janela de transferências. O Manchester United reformulou o seu ataque com o trio Bryan Mbeumo, Matheus Cunha e Benjamin Sesko. Pelo lado do Arsenal, as atenções recaíam sobre Viktor Gyokeres, que esteve em disputa com Sesko ao longo do verão, e os seus novos colegas Martin Zubimendi e Noni Madueke. Analisemos em detalhe como se saíram os estreantes:

1. Bryan Mbeumo

De todos os estreantes de domingo, Mbeumo foi o que pareceu mais adaptado à sua nova equipa. Jogando aberto pela direita, posição que lhe é familiar, Mbeumo rapidamente impressionou Old Trafford com arrancadas perigosas e remates fortes. Embora o plano a longo prazo não seja claro, Ruben Amorim utilizou-o numa posição alta e aberta, permitindo-lhe concentrar-se no ataque e criar oportunidades antes que a defesa adversária se reorganizasse. A sua movimentação e qualidade nos primeiros toques foram notáveis, culminando em várias tentativas perigosas, incluindo um cabeceamento potente que exigiu uma grande defesa de David Raya.

2. Matheus Cunha

Matheus Cunha foi eleito `homem do jogo` pelos adeptos do Manchester United, um reflexo do seu notável empenho e combatividade, qualidades por vezes ausentes nos avançados de Old Trafford. Participou em 20 duelos, o maior número entre todos os jogadores, e a sua pressão no ataque dificultou a saída de bola do Arsenal. No entanto, Cunha foi também culpado de algumas decisões precipitadas na posse de bola. Os seus 22 remates resultaram em apenas 1.52 de `expected goals` (xG), evidenciando uma tendência para remates apressados e de longa distância. Embora a última temporada tenha sido excecional em termos de golos, com 15 na Premier League, a sua eficácia esteve bem acima do seu xG (8.65), impulsionada por golos de fora da área – uma tendência que raramente se sustenta.

Imagem do jogo mostrando a posição de remate de Matheus Cunha.
Crédito: Premier League

Em mais do que uma ocasião, tentou a magia individual, tal como Mbeumo. O desafio para Amorim será orientá-lo a procurar posições de remate mais vantajosas, em vez de tentar a magia individual. Ainda assim, a sua performance espelhou um problema mais amplo do United: a falta de apoio na área adversária. Muitas das jogadas de ataque dependiam da capacidade individual de Cunha ou Mbeumo, o que se revelou uma tarefa árdua para os estreantes.

3. Benjamin Sesko

A entrada de Benjamin Sesko aos 25 minutos finais trouxe uma mudança parcial. Embora um curto período seja insuficiente para julgar um avançado em desenvolvimento, Sesko demonstrou exatamente o que o United precisava: presença na área. Wayne Rooney elogiou a sua capacidade de segurar a bola e de se posicionar bem. Com quatro toques na área e dois remates à baliza, Sesko mostrou um impacto imediato, criando oportunidades e dando uma nova dinâmica ao ataque do United. Um início promissor para o esloveno.

4. Viktor Gyokeres

Nas mesmas 25 minutos, Viktor Gyokeres, a aposta do Arsenal, teve menos toques na área que Sesko. A sua estreia foi desafiadora, com o momento mais perigoso a ser também o mais inoportuno: ao tentar fletir para a direita, acabou por pisar na bola e ceder uma falta. O sueco teve uma tarde difícil, mas era de esperar, dado que muitos dos seus colegas também enfrentavam dificuldades.

O mais encorajador foi a aparente tentativa dos seus companheiros de se adaptarem ao seu jogo rápido, com o Arsenal a jogar num ritmo mais elevado do que o habitual. No entanto, Gyokeres também parecia tentar adaptar-se ao Arsenal, procurando posições mais amplas e recuando para ajudar na construção.

Mapa de toques de Viktor Gyokeres no jogo.
Crédito: TruMedia

Bukayo Saka expressou confiança no seu novo colega, destacando a sua `luta` e acreditando que a sua performance servirá de base para os próximos jogos. Apesar de não ter remates ou chances criadas, houve flashes de bom jogo, como um cruzamento preciso que exigiu mais de Gabriel Martinelli. O Arsenal apostou em Gyokeres pela crença num impacto imediato, e há tempo para que essa aposta se justifique, mas parece haver trabalho a fazer na integração do seu estilo com o da equipa.

5. Martin Zubimendi

Martin Zubimendi, que havia impressionado na pré-temporada, teve um início de jogo algo acidentado. Uma cotovelada involuntária no rosto pareceu desorientá-lo, e os seus primeiros passes foram imprecisos. No entanto, o médio espanhol rapidamente se recompôs e focou-se no essencial. Após os três passes falhados iniciais, não perdeu mais a bola até à segunda parte. Sem posse, Zubimendi limpou bem as jogadas e cobriu uma impressionante distância em campo, apenas superado por Martin Odegaard. Embora não tenha sido um jogo para brilhar com passes longos ou assistências geniais, a sua solidez e eficácia nas tarefas básicas foram exatamente o que Arteta esperaria dele, proporcionando estabilidade ao meio-campo do Arsenal.

6. Noni Madueke

Noni Madueke teve uma curta participação de meia hora, com apenas 15 toques na bola. Conseguiu criar uma oportunidade de golo para Declan Rice e quase marcou no final, não fosse a intervenção heróica de Bruno Fernandes. Embora pouco se pudesse observar em tão pouco tempo e com o Arsenal a defender, o desempenho de Madueke assume maior relevância face às dificuldades de Gabriel Martinelli, o jogador que substituiu. Martinelli tem sido alvo de frustração dos adeptos e parece uma versão atenuada do seu potencial. Assim, não seria surpreendente ver Madueke conquistar um lugar no onze inicial nos próximos jogos.

Rodrigo Carvalhal
Rodrigo Carvalhal

Rodrigo Carvalhal, 36 anos, jornalista esportivo sediado em Lisboa. Especializou-se na cobertura de desportos radicais e de aventura, acompanhando de perto o crescimento do surf e do skate em Portugal.

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