Como Thomas Frank está a disfarçar eficazmente as fraquezas do Tottenham

Esporte

Após uma vitória por 3-0 fora de casa contra o West Ham United no sábado, o caminho do Tottenham nesta temporada, especialmente dadas as suas dificuldades em jogadas de ataque fluido, parece residir nas bolas paradas. O golo de abertura, um pontapé de canto na segunda parte, entregue pelo novo reforço Xavi Simons para Pape Sarr, ilustrou perfeitamente a estratégia do treinador Thomas Frank. Embora Cristian Romero tenha tido um golo anulado numa situação de bola parada devido a uma falta na área, as entregas de Simons e Mohammed Kudus criaram consistentemente oportunidades perigosas durante todo o jogo.

O segundo golo do Tottenham, um cabeceamento de Lucas Bergvall, embora não seja estritamente um golo de bola parada, originou-se de um passe longo de Romero. A sua execução, superando o guarda-redes do West Ham, Mads Hermansen, com um cabeceamento na área, destacou ainda mais as jogadas ensaiadas que o treinador Frank está a incutir na equipa.

Na época passada, o desempenho do Tottenham em bolas paradas foi fraco, marcando apenas 10 golos e sofrendo 13, ambos classificando-se entre o terço inferior da Premier League. No entanto, sob Frank, a narrativa está a mudar. No início da atual temporada, já marcaram dois golos de bolas paradas em apenas quatro jogos e, crucialmente, não sofreram nenhum. Embora possam não rivalizar ainda com a reputação de `Set Piece FC` do Arsenal (que já tem cinco golos de bolas paradas), isto marca um progresso significativo.

A equipa continua a ser um trabalho em progresso, particularmente em jogadas de ataque fluido, ajustando-se à ausência de atacantes chave como Heung-min Son (que se mudou para o Los Angeles FC), do médio criativo James Maddison e de Dejan Kulusevski. Este contexto sublinha a importância vital das novas contratações Simons e Kudus. Apesar de um mercado de transferências tumultuoso onde falharam a contratação de jogadores como Morgan Gibbs-White e Eberechi Eze, o Tottenham acabou por garantir um forte conjunto de adições, que já está a mostrar resultados promissores.

A integração destes novos jogadores, especialmente na posse de bola, exigirá tempo. Contudo, uma coisa é certa: o Tottenham não terminará em 17º lugar na liga novamente. Após a vitória na Liga Europa e a saída de Ange Postecoglou durante o verão, as expectativas são altas para os Spurs no seu regresso à Liga dos Campeões. Frank conseguiu um sorteio que inspira confiança, especialmente considerando a sua forma inicial na temporada.

Jogos do Tottenham na Liga dos Campeões

Calendário: Villarreal (casa), Bodo/Glimt (fora), Monaco (fora), Copenhagen (casa), Paris Saint-Germain (fora), Slavia Praha (casa), Borussia Dortmund (casa), Eintracht Frankfurt (fora)

Uma maior solidez defensiva permitirá ao Tottenham iniciar a sua campanha na Liga dos Campeões de forma positiva, particularmente antes do confronto fora de casa com o PSG, e também dará a Frank o tempo necessário para determinar o seu onze inicial ideal. Quando se encontrarem novamente com o lado parisiense, o Tottenham desejará replicar a sua atuação na primeira parte da Supertaça da UEFA, onde assumiram a liderança através de Micky van der Ven, em vez da segunda parte em que desperdiçaram uma vantagem de dois golos.

Este incidente sublinhou o potencial de Frank para guiar o Tottenham eficazmente em múltiplas competições. Agora, o desafio é consolidar este progresso e elevar o clube para o próximo nível. Embora as bolas paradas sejam cruciais, a sinergia contínua entre Kudus e Simons sugere uma equipa pronta para surpreender – não apenas alcançando os oitavos de final da Liga dos Campeões, mas também garantindo um lugar entre os quatro primeiros na Premier League.

Rodrigo Carvalhal
Rodrigo Carvalhal

Rodrigo Carvalhal, 36 anos, jornalista esportivo sediado em Lisboa. Especializou-se na cobertura de desportos radicais e de aventura, acompanhando de perto o crescimento do surf e do skate em Portugal.

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