A Fórmula 1 em 2026: Uma Nova Era de Regulamentos, Motores Híbridos e a Dinâmica das Corridas Sem DRS

Esporte

Com o final da temporada de 2025 da Fórmula 1, todas as atenções se voltam para 2026, um ano que se anuncia como um ponto de viragem crucial e possivelmente o mais impactante para o desporto numa década.

O que esperar da F1 em 2026?

A resposta é: muito. Os regulamentos técnicos serão totalmente revistos, o que implicará mudanças significativas nas unidades de potência, no chassis e nas regras aerodinâmicas. Os carros de corrida serão, no mínimo, radicalmente diferentes. De acordo com Martin Brundle, estes novos regulamentos representam as “maiores mudanças de sempre” na história da Fórmula 1, e espera-se que provoquem uma reestruturação profunda na hierarquia das equipas.

As equipas estão a trabalhar intensamente nos carros de 2026 há muito tempo, uma vez que se prevê que este conjunto de regulamentos se mantenha em vigor durante cinco temporadas. Começar a próxima época com vantagem pode ser decisivo para definir a competitividade nos anos seguintes, tal como se verificou com o domínio da Mercedes, iniciado em 2014.

O que muda nas unidades de potência?

Os novos motores da F1 dependerão muito mais da energia elétrica, atingindo uma divisão de 50/50 entre a potência fornecida pela eletricidade e pelo motor de combustão interna (ICE). Isto representa um aumento de quase 300% na potência elétrica.

O motor de combustão mantém-se como o V6 turbo de 1,6 litros utilizado desde 2014, mas os seus componentes auxiliares foram alterados, sendo a alteração mais notável o desaparecimento do MGU-H (Motor Generator Unit – Heat).

É provável que este novo paradigma tecnológico crie inicialmente uma grande disparidade entre as unidades de potência mais eficientes e as menos. Espera-se que as primeiras corridas sejam marcadas por níveis de potência inconsistentes e pelo regresso da falta de fiabilidade, à medida que os fornecedores se adaptam à nova tecnologia.

Andy Cowell, ex-diretor de Estratégia da Aston Martin, destacou a complexidade do desafio: “É muito difícil dizer que se trata apenas da potência do motor, ou da bateria, ou da rejeição de calor. Todos estes parâmetros são negociados. Há compromissos a fazer para conseguir o carro de corrida mais rápido. Ainda faltam muitos meses para o início da época.”

Cowell acrescentou que todas as equipas de engenharia estão focadas em obter o máximo de desempenho e em resolver problemas de fiabilidade, o que coloca uma enorme pressão sobre a cadeia de abastecimento, onde “cada minuto de cada dia conta”.

A partida do GP do Qatar para a curva um
Imagem: A partida de uma corrida de F1, simbolizando o início de um novo ciclo.

Equipas e Fornecedores de Motores para 2026

Os novos regulamentos de motores, concebidos para serem mais relevantes para a tecnologia automóvel de estrada, foram cruciais para atrair novos participantes. A Audi entrará no grid, assumindo a equipa Sauber. A Honda permanecerá no desporto, e a Ford regressará como fornecedora em parceria com a Red Bull Powertrains.

A FIA credita os novos regulamentos por terem atraído seis fabricantes de unidades de potência: Ferrari, Mercedes, Renault, Honda, Audi e Red Bull Powertrains.

A mudança mais significativa talvez seja o facto de a Red Bull, pela primeira vez na sua história, produzir o seu próprio motor, através da Red Bull Powertrains, com o apoio técnico da Ford. A sua equipa júnior, a Racing Bulls, também utilizará a unidade de potência Red Bull-Ford.

A Honda deixará a colaboração com a Red Bull para se tornar a fornecedora exclusiva da Aston Martin, o que gera grandes expectativas, dada a recente força dos motores Honda nos últimos anos.

A Audi enfrentará um desafio significativo no seu ano de estreia, mas beneficiará por manter grande parte do pessoal da atual estrutura Sauber. Por fim, a nova equipa Cadillac utilizará unidades de potência e caixas de velocidades fornecidas pela Ferrari, pelo menos até ao final de 2028, altura em que tenciona desenvolver a sua própria unidade motriz.

Equipas e Motores na F1 2026

Equipa Motor
McLaren Mercedes
Mercedes Mercedes
Red Bull Red Bull-Ford
Ferrari Ferrari
Williams Mercedes
Haas Ferrari
Aston Martin Honda
Racing Bulls Red Bull-Ford
Alpine Renault
Audi Audi
Cadillac Ferrari
Eduardo Meireles
Eduardo Meireles

Eduardo Meireles, 41 anos, jornalista baseado no Porto. Dedica-se principalmente aos esportes coletivos tradicionais, com foco especial no voleibol e andebol. Desenvolveu uma metodologia própria de análise estatística que permite contextualizar o desempenho das equipas portuguesas no panorama europeu. Mantém um blog especializado e um podcast semanal onde discute as ligas nacionais e europeias.

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